Açucar refinado,doce ilusão

Considerado por alguns uma droga tão viciante quanto a heroína, o açúcar esconde por trás de seu doce paladar uma verdadeira ilusão para a saúde.

O médico otorrinolaringologista Yotaka Fukuda, 62 anos, professor da Escola Paulista de Medicina, notou a frequência do aparecimento de casos de labirintite e começou a perceber que o fato poderia ter relação com o consumo do açúcar. “O açúcar é o maior estimulante da produção de insulina – hormônio produzido pelo pâncreas. O excesso de insulina produzido pelo consumo de açúcar leva à labirintite”, afirma Fukuda, que chegou a esta constatação depois de observar diversos casos em seu consultório e realizar uma pesquisa com 100 pessoas para sua tese. Ele verificou que no universo das pessoas com labirintite, 80% tinham insulina alta. “Mais recentemente, pesquisadores de outras áreas têm verificado que o excesso de insulina leva também a problemas de pressão alta e obesidade. A pessoa engorda, adquire diabetes, fica com o colesterol alto e pode até ter derrame”.

Em sua pesquisa, o médico fez a curva glicêmica e curva de insulina de cinco horas, constatando, além da insulina alta, que metade apresentava alteração na curva glicêmica. “Essas pessoas com labirintite enfrentavam sérios problemas, ficando inseguras devido à tontura, com medo de sair de casa e ter novas crises; o remédio muitas vezes só faz efeito na hora”, esclarece. “O tratamento, nesses casos, é suprimir o açúcar e tirar principalmente alimentos industrializados, especialmente refrigerantes, sorvetes, bolos, biscoitos, bebidas alcoólicas como cerveja, conhaque e licor, além do leite condensado, que é açúcar com um pouco de leite“.

A retirada do açúcar da alimentação desses pacientes fez efeito, acabando com os sintomas da doença. “Não adianta tratarmos somente os sintomas com medicamentos, é preciso ir à causa. Retirando o açúcar você vai na raiz do problema”, avalia Fukuda.

“Muitos ficaram contentes porque emagreceram, outros porque o colesterol baixou; pessoas que tinham labirintite há anos deixaram de ter e não precisam mais tomar quilos de remédio; havia pessoas que estavam a caminho da diabetes e se livraram do risco.”

Fukuda avisa que as crianças são as maiores vítimas desse abuso. “O problema costuma aparecer com 30, 40 anos de idade – é o que está acontecendo nos dias de hoje. Antes a diabetes tipo II aparecia com 70 anos. Agora aparece precocemente”. Ele diz que o pâncreas, que produz insulina, depois de três a quatro décadas de sobrecarga, não aguenta. O efeito é cumulativo e o organismo não está preparado.

O médico explica que a insulina faz com que o açúcar que está na circulação sanguínea seja rapidamente levado para dentro das células. Se já tiver grande quantidade de energia nas células, essa energia vai ser depositada no corpo como gordura; além disso, o aumento de insulina provoca desequilíbrio metabólico. “O excesso afeta o trato digestivo, o pâncreas, o cérebro, os neurônios”.

Comentando os problemas provocados pelo consumo excessivo de açúcar, a médica endocrinologista  Anete Hannud Abdo cita estudo publicado em 2007 no American Journal of Public Health, com 91.249 mulheres seguidas por oito anos, que demonstrou que aquelas que consumiam um ou mais copos de refrigerante/por dia tinham duas vezes mais chance de desenvolver diabetes do que aquelas que consumiam menos de um copo/mês. O consumo de refrigerante normal também esteve ligado à diminuição do consumo de leite, cálcio, frutas e fibras, aumento do consumo de calorias e ganho de peso. “Ao que parece, as pessoas não fazem a compensação das calorias do refrigerante diminuindo esses valores da refeição. Levanta-se a possibilidade de que os refrigerantes aumentam a fome, diminuem a saciedade ou simplesmente calibram o organismo para um gosto doce muito acentuado”, avalia.

Anete diz que dietas altamente glicêmicas podem aumentar o apetite e reduzir a saciedade. “Quanto mais açúcar ingerimos, mais insulina precisamos fabricar para metabolizá-lo. Evidências sugerem que altos níveis de insulina parecem interferir com a sinalização da leptina (hormônio fabricado pelo tecido adiposo, que avisa o cérebro sobre a quantidade de gordura estocada): quando os níveis de insulina estão muito altos, o cérebro não fica sabendo quanta gordura está estocada, e o resultado final é uma maior ingestão de alimentos. Em outras palavras, quanto mais doce comemos, mais temos vontade de comer”.

O médico comenta que o açúcar pode ser substituído pelos adoçantes artificiais, principalmente nos pacientes com diabetes e obesos. “Porém, os adoçantes não são isentos de culpa. A titulo de exemplo, existe adoçante que contém o sódio na sua fórmula e o sódio é considerado como um dos vilões no desenvolvimento da hipertensão, principalmente naqueles indivíduos com predisposição para tal. Também há estudo associando o consumo de adoçante com câncer. O ideal para qualquer ser humano é consumir alimentos in natura, ou seja, sem adição de açúcar ou de adoçantes”.

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