CANTEIRO BIO-SÉPTICO


Esgotos domésticos são uma conseqüência inevitável da forma como as pessoas
planejam os assentamentos humanos. São também uma importante causa de
poluição marítima. Com a curta distância fica fácil despejar os esgotos, com
matérias tóxicas e organismos patógenos, no mar.
A contaminação da água por fezes traz mais prejuízos à saúde humana que a
contaminação química.
As águas contaminadas são responsáveis pela transmissão de diversas doenças,
entre elas elefantíase, esquistossomose, cólera, tifóide, hepatite infecciosa,
poliomielite e vermes intestinais, que direta ou indiretamente, são responsáveis
por milhares de mortes anuais.
Não é por isso que os dejetos humanos perdem o valor que têm. O problema está
na forma como são tratados. Em sua essência são um precioso fertilizante de
solos.
Mas, quando desprezados e lançados nos rios, representam a forma mais grave
de contaminação das águas.

O canteiro bio-séptico  é um sistema completo,
que associa a digestão anaeróbica (sem presença de oxigênio) a um canteiro
séptico que digere toda a matéria orgânica na zona de raízes das plantas em
conjunto com micro-organismos aeróbicos (com a presença de oxigênio). A água
é evapo-transpirada, eliminando totalmente qualquer tipo de resíduo, além de
produzir biomassa viva, inclusive frutos!

As medidas desenvolvidas para esta tecnologia são calculadas para uma casa
familiar média, com 6 pessoas. Em sistemas com demanda mais contínua, como
restaurantes e pousadas é necessário fazer um ajuste no comprimento das valas
e, em alguns casos, no número total de bio-sépticos instalados.
Este volume é estimado pela quantidade total de água que uma família utiliza na
cozinha e nos banheiros. Se os hábitos de consumo de água são de desperdício,
um sistema maior precisa ser instalado. Se a família é econômica, um modelo
pequeno funciona perfeitamente.
Quando o lençol freático é profundo (mais de 2m) o sistema pode ser construído
numa vala escavada. Se estiver a menos de 2m, é melhor construir um canteiro
acima do nível do solo. Isto pode significar que a altura da instalação hidráulica
da casa deva ser modificada.

O bio-séptico deve ser construído como uma caixa impermeável, com uma
entrada para o esgoto e um suspiro acima da pirâmide, que serve como saída de
ar e inspeção do nível de água. O suspiro pode ficar 2m de altura acima do solo.

Faça uma vala ou caixa medindo 1m de profundidade,
por 1,5m de largura e 2m de comprimento (de vão livre) e impermeabilize com
alvenaria.

 


Dentro desta vala é construída uma pirâmide com tijolos furados, de forma que
um espaço seja criado para depositar o efluente.

É importante construir a pirâmide de tijolos de forma que os furos estejam
desobstruídos, apontando para as laterais. Assim o efluente pode alcançar as
raízes das plantas.
O sistema não entope porque existe um espaço de ar permanente dentro da
pirâmide, o que impede o crescimento das raízes das plantas para dentro do
espaço de tratamento anaeróbico.

Na parte externa da pirâmide, coloca-se material poroso para encorajar o
desenvolvimento de micro-organismos que farão a digestão do efluente.
Este material pode ser cacos de cerâmica ou pedra porosa. Entulho de construção
também serve.


É muito importante que seja um material poroso, para abrigar a comunidade de
micro-organismos que vai fazer a maior parte do tratamento e da digestão de
matéria orgânica.

O efluente entra na pirâmide de tijolos
e imediatamente inicia um processo de
digestão anaeróbica. Ao alcançar os furos dos
tijolos, ele entra em contato com o material
poroso e as raízes das plantas, sendo digerido
aeróbicamente.

Quando existe a possibilidade de uma carga em excesso, construímos dois
sistemas em paralelo, assim é possível interromper um para manutenção
enquanto o outro continua operando. Em locais onde a chuva é muito intensa
isto também pode ser necessário. Em uma casa familiar pequena um canteiro
bio-séptico é suficiente.
Acima do material poroso, completamos com uma camada de 20cm de
composto ou terra vegetal. É nesta camada que plantamos as plantas que vão
fazer a evaporação da água. Alguns materiais podem ser colocados antes desta
camada para servirem de “âncora” para as raízes. Estes podem ser orgânicos,
como palha, serragem ou madeira picada, ou até mesmo plástico picado.

O plantio de espécies que gostam de muita água é feito imediatamente. Estas
plantas podem ser bananeiras, taiobas, bambus, entre outras.
Não plante nenhum alimento de raiz, como mandioca ou batata doce, pois os
tubérculos estariam em contato com o efluente e não são comestíveis.
Os frutos (bananas, por exemplo) podem ser comidos, pois não existe perigo de
contaminação.
Lembre-se que é necessário regar estas plantas até que estejam bem estabelecidas,
mesmo que o sistema entre em funcionamento imediatamente, pois é necessário
um tempo até que o líquido do esgoto alcance o nível das raízes.
O canteiro bio-séptico funciona como uma horta, porém recebe água de baixo
para cima. Quando esta água (o esgoto) é pouca, é necessário regar para não
deixar as plantas morrerem.

O resultado é um sistema sem efluentes, pois toda a água é absorvida e evaporada

pelas plantas enquanto a matéria sólida (0,1% do volume total) é transformada
em minerais inertes, que são alimentos para as plantas. É assim que a natureza
sempre trabalhou para limpar a água poluída.
Se aparecerem minhocas e outros organismos do solo, como cascudos e insetos,
não se assuste, isto é sinal de que o seu sistema de tratamento está funcionando
muito bem e o solo está ficando mais fértil! Estes organismos auxiliam na
digestão.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s